terça-feira, 9 de outubro de 2012

o cavaleiro viajante

O CAVALEIRO VIAJANTE


Havia um cavaleiro, que viajava pelos caminhos da vida. Em uma de suas caminhadas, cortando atalhos, entrou por aventura na mata fechada.
Ao longe, ele avistou uma senhora, que estava sentada em um tronco de árvore. Aproximou-se da velhinha e a viu chorando. Assustado com aquela cena, o rapaz dirigiu-se a ela e a perguntou: “O que está havendo, minha senhora?”.
Ela olhou para cima e falou: “Olha, seu moço, não te conto nada. Eu estou à procura de meu netinho, que desapareceu de casa, levado por uma gorila. O pai dele era caçador e trazia as caças para nossa casa, para nos alimentarmos. Um dia, em uma dessas idas, ele retornou para casa sem ter trazido nada”.
A senhora, então, prosseguiu: “Com a cabeça baixa e triste o pai dele me disse: ‘Minha sogra, hoje aconteceu uma tragédia. Eu avistei uma gorila no alto de uma árvore e apontei a espingarda para cima. Atirei nela e ela caiu lá de cima. Ao aproximar-me dela, a vi segurando um filhote, o qual parecia estar morto. Ela, então, pegou sua cria e saiu em disparada para a mata fechada, desesperada’”.
Ela continuou contando para o cavaleiro: “Após me contar esse episódio, muito triste, meu genro pegou seu filho no colo e saiu para o terreiro da nossa casa. De repente ele ouviu um rugido bem forte, próximo de onde ele estava. Foi, então, que apareceu a gorila com o seu filhote morto. Ela jogou o filhote ao chão e partiu pra cima dele, o ferindo com suas garras. Assim sendo, meu neto caiu dos braços dele. E, em uma luta desesperadora, meu genro foi morto. A gorila pegou meu netinho e adentrou-se na mata,  o carregando. Já faz uma semana que estou à procura dele e não o encontro. Infelizmente, seu moço, agora eu estou sozinha. Eu vivia apenas com meu genro e meu único netinho, visto que minha filha também já se foi. Por favor, me ajude seu moço. Pelo amor de Deus, tente encontrar meu neto!”.
Comovido, o cavaleiro respondeu: “A senhora já pode ir pra sua casa, que aqui é muito perigoso. Deixe comigo! Vou até ao fim do mundo, mas trarei seu netinho de volta! Ao encontrar seu neto, o levarei de volta para os seus braços!”.
O cavaleiro, então, abandonou o seu caminho e se aventurou na mata galopando em seu pomposo cavalo. Galopou, galopou, por muito tempo, abrindo passagem na intensa mata fechada. A caminhada era árdua e já com fome e sede, o cavaleiro bebia o resto de água que carregava consigo e comia algumas frutas que encontrava por ali. Ao acabar o pouco de água que lhe restava, foi matar sua sede em pequenos manguezais, por onde passava. Com todas as dificuldades que encontrava pelo caminho, mesmo assim, o rapaz não desistia da promessa feita à senhora.
No entanto, ao atravessar um perigoso rio, montado em seu cavalo, distraidamente, o pobre cavalinho tropeçou em um pedaço de madeira e caiu no rio.  O cavaleiro, então, bateu com a cabeça em uma pedra e acabou por desmaiar. Acabou sendo levado pela corredeira e se distanciando muito.
 Passado algumas horas, o rapaz acordou. Ainda meio atordoado, ele olhou para os lados e avistou uma arvore, na qual estava dormindo uma gorila, que segurava alguma coisa.
 O cavaleiro se apoiou em uns galhos para subir às margens do rio. Meio fraco ainda, o jovem caminhou para mais perto, para ver o que a gorila estava segurando. Tonto, viu o que era e exclamou: “Será miragem ou realidade? Parece ser uma criança!”. Compenetrado naquilo, constatou: “É mesmo uma criança! Deve ser o netinho daquela senhora!”.
 Cauteloso, o jovem pensou: “Não vou assustá-la. Eu tenho que ter calma!”. Então, ele se escondeu no meio de umas folhagens e ali, ficou pensando no que fazer. Assim, pensou: “Esta gorila tem que sair dali, para se alimentar alguma hora”.
 Ele ficou, até ao entardecer, à espera disso. Pois bem, exatamente como havia pensado o cavaleiro, a gorila desceu da árvore. Ela caminhou com a criança em seus braços até um coqueiral. Ela juntou algumas folhas secas no chão, fez um ninho, colocou a criança deitada e foi à procura de cocos, para se alimentarem. A gorila, então, subiu em um coqueiro bem alto.
 O cavalheiro teve uma ideia: “É agora!”. Ele correu até lá, pegou a criança e voltou correndo para a mata fechada. Subitamente, com a criança em seus braços, avistou o seu cavalo, subiu nele e saiu galopando. Esperto, olhou para traz e viu que a gorila os seguia. Ela estava desesperada para pegar a criança.
Nisto, ele avistou o tal rio e pensou: “Se eu conseguir atravessar, esta gorila não vai conseguir nos pegar!”. Dessa forma, ele entrou no rio, montado em seu cavalo e com a criança em seu colo. A correnteza os puxava para baixo. Mas com muita bravura, o cavaleiro se concentrava em levar a criança sã e salva, para o seio da pobre velhinha.
 Bastante valente, ele atravessou as margens do rio, até o outro lado. Ofegante, o rapaz olhou para trás e lá estava a gorila urrando de raiva e coçando a cabeça, posto que, assim, ela não poderia chegar até eles. Ele galopou, galopou e encontrou o caminho de volta, o qual os levaria à casa da senhora.
 De longe, a pobre velhinha avistou o cavaleiro chegando, com o seu netinho nos braços. Ela correu em sua direção. Ao chegar perto deles, a senhora agarrou a criança em seus braços, chorando. Emocionada ela gritou para o cavaleiro: “O senhor foi enviado por Deus! Não sei como lhe agradecer!”. O cavalheiro respondeu: “A senhora não pode morar mais aqui, porque a gorila pode aparecer novamente! Junte suas coisas e vamos embora!”.
 O cavaleiro, então, os levou consigo, para uma grande fazenda, a qual ele possuía, bem próxima à uma cidade. Diante disso, passou a cuidar da pobre senhora e do seu netinho, com muito amor.


 P.S.: Meu pai contava, que um caçador, em uma de suas caçadas, avistou um macaco na árvore. Quando ele foi atirar, apontando a espingarda, o macaco tirou um macaquinho de baixo dele. Devido à isso, o caçador não teve coragem de atirar.
Esse foi um caso verídico, o qual me inspirou a escrever esta história.


AUTORIA: Mario Garcia Aguiar


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

meu cavalo alazão (parte 2)

MEU CAVALO ALAZÃO (PARTE 2)


 OBS.: De tanto meus netos insistirem, continuarei a história do Cavalo Alazão.

Depois do sucesso de Zéquinha e sua proeza, a qual salvou a lavoura de milho, sua família fez a colheita do milharal e, assim, eles ganharam uma boa quantia de dinheiro. Sua moradia ficava em um pequeno arraial, o qual, naquele tempo, era governado por um Rei.
Muito tempo depois, Zéquinha já crescido um pouco, apareceu no arraial, um mensageiro do Rei. Com uma enorme corneta proclamou: “TÃ-TÃ-RÃRÃÃÃÃ... ATENÇÃO, ATENÇÃO! O Rei envia esta mensagem, oferecendo sua única filha em casamento, para o jovem que conseguir escalar a mais alta montanha, montado em seu cavalo. Se conseguirem escalá-la, a princesa, minha filha, estará lá, com as alianças, para a consumação do noivado e do futuro casamento”.
Após ouvirem a célebre notícia, os irmãos de Zéquinha, foram correndo para casa do pai, dar a noticia e dizer que tentariam aquilo. O pai, então, falou: “Vão sim, meus filhos. Vocês querem muita benção ou bastante dinheiro?”. Os filhos logo gritaram: “Lógico pai, que querermos bastante dinheiro!”. E assim, os dois partiram montados em seus cavalos, os melhores daquele arraial.
Depois disso, Zéquinha, tendo ouvido o pedido de seus irmãos, também resolveu pedir ao pai: “Me deixe tentar também, papai?”. O pai o respondeu: “Ô, meu filhinho querido, a viagem é muito longa, você ainda é jovem, tens ainda dezessete anos. Ficarei muito preocupado em te acontecer algum mal”. Zéquinha insistiu. E o pai, finalmente, acabou cedendo: “Você merece filho. Vá tentar também! Você quer muito dinheiro ou muita benção?”. Zequinha, então, exclamou: “Ô pai, eu quero muita benção e pouco dinheirinho. Dinheiro apenas para as despesas”. Por fim, o pai disse: “Vá meu filho, que DEUS te dê muitas bênçãos!”E assim Zéquinha partiu, no cavalinho mais perrengue que sobrou. 
Ele caminhou várias horas, até avistar um boteco na estrada. Cansado, aproximou-se do boteco e adivinhe o que o menino viu no balcão? Seus dois irmãos tomando cachaça. Os dois, ao verem Zéquinha, gritaram: “O que essa porcaria veio fazer aqui? Vamos pegá-lo, dar uma coça nele e mandá-lo de volta!”. Sendo assim, os irmãos pegaram o menino e o surraram até ele ficar caído ao chão.
Depois desta covardia, os dois irmãos mais velhos partiram, deixando Zéquinha lá, caído ao chão. O menino, com muita dificuldade em se levantar, todo machucado, lembrou-se dos cavalos encantados, os quais lhe ofereceram que em qualquer circunstância os chamasse que eles viriam ao seu socorro. E, assim, procedeu. Gritou, ainda com dificuldades: “ME VALE MEU CAVALO PAMPA!”.
 De repente, em meio a uma névoa, apareceu aquele lindo cavalo encantado, relinchando: “Rimmmm-Rimmm-Riiimmmmmm!”. O animal começou a lamber as feridas de Zéquinha e cada uma delas, por milagre, cicatrizaram. Após sará-lo, o cavalo falou: “Suba aqui, que o levarei ao seu destino”.
O menino cavalgou por várias horas. Até avistar um pequeno arraial. Aproximou-se, mas ficou apavorado. De novo, estavam eles, seus irmãos, bebendo cachaça. Os irmãos avistaram-no e partiram para cima dele em bordoadas. Gritaram: “Ora essa. Esta porcaria por aqui de novo!”. O espancam, até quebrarem suas pernas e se foram. Caído e com muitas dores, lá ficou Zequinha, sem o seu cavalo, visto que, por maldade, seus irmãos o mataram. Com muita dificuldade, lembrou-se do cavalo Castanho e gritou: “ME VALE MEU CAVALO CASTANHO!”.
Subitamente, apareceu aquele lindo cavalo e este, começou a lamber suas feridas. Na medida em que ia lambendo, também, os machucados do menino saravam. Zéquinha, já curado, ouviu Castanho falar: “Suba aqui e vamos embora. O levarei ao seu destino!”.
Cavalgou, novamente, até encontrar uma vendinha e lá parou para almoçar. Porém, novamente quem estava lá? Seus irmãos bebendo cachaça. Ao avistarem, de novo, Zéquinha, os irmãos, raivosos, gritaram: “Não tem jeito mesmo! Vamos até lá para furar os olhos dele!”. E assim procederam. Mataram o cavalinho Castanho e deixaram Zéquinha cego.
Zéquinha se levantou, sem enxergar nada e foi caminhando, até sentir que estava em uma mata, posto que a folhagem encostava em seu rosto. Ele caminhou mata adentro, cansado, encontrou uma árvore e se deitou. De repente, ele ouviu um barulho de galhos quebrando e uma conversaria danada.
Sabem o que era? Um bando de capetinhas conversando.  Nas conversas deles, o menino escutou um comentário que falava: “Está vendo estas folhas aqui? São poderosas! As pessoas cegas podem pegá-las e esfregar em suas vistas. Ao passarem duas vezes, voltam a enxergar”. Os capetinhas foram se aproximando, de onde Zéquinha estava. O menino subiu na árvore e se escondeu nas folhagens.
Ao perceber eles indo embora, Zéquinha desceu da árvore, ainda cego, com muita dificuldade e se lembrou do comentário de um dos capetinhas, sobre a folhagem milagrosa. Ele, então, adentrou a mata, tirando as folhagens que se encontravam a sua frente.
O menino tirava as folhas e as esfregava no olho, procurando a tal folha milagrosa, para assim tentar se curar. Até que, em uma folha, ao esfregá-la em um de seus olhos, percebeu que havia enxergado. Esfregou na outra, também, e as duas vistas voltaram a funcionar.
Recuperando-se totalmente, após as pancadas recebidas, se lembrou do cavalo que ainda restava e gritou: “ME VALE MEU CAVALO ALAZÃO!”. Em meio a uma fumaceira, apareceu aquele lindo cavalo, com uma cela de ouro brilhante e gritou: “Sobe aqui! Que ninguém vai nos impedir de chegar ao seu destino!”. Zéquinha partiu em galopadas, pelos caminhos, com o cavalo Alazão. Quase voando foram em busca do destino do menino.
Chegando à montanha, onde o castelo no alto se encontrava, Zéquinha viu seus irmãos planejando subir também. Eles subiam um pouco, os cavalos escorregavam e os dois voltavam para o chão. E foi assim, repetidas vezes.
 Os irmãos, então, avistaram Zéquinha e comentaram um para o outro: “Esse porcaria ai não vai conseguir nada!”. E partiram, imediatamente, pra cima do menino. Entretanto, desta vez, o cavalo Alazão deu um coice bem forte neles, os jogando para bem longe. Alazão, então, gritou para Zéquinha: “Segura ai meu filho, que nós vamos pegar o anel da princesa!”.
Partiram pra cima da montanha mais íngreme, subindo sem dificuldade, quase voando. Então, conseguiram chegar ao topo da montanha e lá estava a princesa, no trono, ao lado do rei, seu pai. Eles os receberam com muitos fogos e em festa. Ao se aproximar mais da princesa, Zéquinha beijou suas mãos e a princesa, contente, entregou as alianças. Eles as colocaram e o rei o abraçou dizendo: “Cavaleiro, tu agora serás meu herdeiro e o novo Rei!”.

P.S.: Essa história não acaba por aqui, ainda tem mais! Ouço agora meus netos dizendo: "Acaba Vô! Acaba Vô!".

AUTORIA: Mario Garcia Aguiar


"seu moço me da minha coca " (parte 2)


"SEU MOÇO ME DÁ MINHA COCA" (PARTE 2)


OBS: Devido às insistências de meus netos, continuarei contando essa história!

Voltando à casa de meu padrinho, eufórico para encontrar Tibúrcio, bastante curioso para ouvir suas outras histórias, as quais prometeu me contar, da próxima vez em que eu passasse por lá. E, assim, eu fui caminhando.  Ao me aproximar de sua humilde casinha, ele me avistou de longe e começou a cantar: “Seu moço me dá minha Coca! A Coca que padim me deu”.
Continuou cantando, até que cheguei. Ele veio de braços abertos cumprimentar-me e falou-me: “Olá, meu amiguinho, você por aqui? Venha até a minha humilde casinha e vamos bater um papinho?”. Recebeu-me sorridente, logo foi pegando o seu banquinho e falando: “Senta ai, que hoje vou te contar a história de onde vim”.
Tibúrcio prosseguiu contando: “Eu trabalhava como maquinista de trens. Transportava cargas e passageiros. Mas aconteceu, porém, que em uma viagem, transportando passageiros, não sei se foi do seu tempo, você já ouviu falar sobre o desastre de Tanguá e.r.?”. Então, o respondi: “Lembro sim, meu pai me contou. Ele estava nesta viagem e sobreviveu. Contou que foi horrível e muitos morreram”.
Tibúrcio abaixou a cabeça e com lágrimas nos olhos, falou: “Era eu quem estava de maquinista. Vou lhe contar”. Ele continuou: “No dia, estava chovendo muito, parecia um dilúvio. Ribanceiras caíram, até que em um trecho, ao atravessar uma ponte, uma ribanceira bem grande, desmoronou, fazendo com que vários vagões de passageiros caíssem no rio. Devido as fortes chuvas, que matou muita gente, depois ainda deste acontecimento, eu desesperado, abandonei tudo e sai caminhando nesta linha sem destino. Andei um por um bom tempo sozinho por ai, vagando no frio e na escuridão. Caminhando parei aqui, achei esta casa e morando aqui, isolado de tudo, procurei esquecer. Porém, eu tinha pesadelos horríveis. Vinha em meus pesadelos, aquele desastre. Eu só melhorei, quando lhe contei, da outra vez, sobre o salvamento das vidas, do desastre que evitei, com a garrafinha e com o apito de socorro. Com este acontecimento, senti ter resgatado todas as vítimas do desastre, acontecido comigo”.
Tibúrcio ao acabar de me contar sobre sua difícil jornada, falou: “Vá meu amigo, não perca tempo! A vida é muito curta! Às vezes nos surpreende! Vá encontrar com o seu padrinho e curta. Mas volte sempre. Da próxima vez, vou lhe contar outra história mais alegre”. 
Meu amigo, então, me abraçou e, ainda, vi seus olhos molhados, me dizendo: “Até breve!”. E seguiu cantando: “Seu moço me dá minha Coca! A Coca que padim me deu”. “Seu moço me dá minha Coca! A Coca que padim me deu”. Até sumir novamente.

AUTORIA: Mario Garcia Aguiar

domingo, 7 de outubro de 2012

meu cavalo alazão

 MEU CAVALO ALAZÃO



Era uma vez, um agricultor que tinha três filhos, Zéquinha, o mais novo, João, o do meio e Pedro, o mais velho. Ele possuía uma lavoura de milho muito fértil e vistosa, na qual a colheita estava se aproximando.
Certa manhã acordou e foi apreciar seu milharal. O agricultor se espantou com a cena que viu. Os milhos estavam jogados ao chão e a folhagem toda amassada. Imediatamente, o agricultor chamou seus filhos, para ver o que tinha acontecido ali. Sem saber o que fazer, ordenou ao seu filho mais velho, Pedro, que tomasse conta do milharal durante a noite, para ver se havia algo de errado pela redondeza.
Ao anoitecer, meio aborrecido e cansado, Pedro, foi até ao milharal, pegou uma esteira de palha, estendeu-a, juntou umas folhas secas por perto, as espalhou ao chão e dormiu. Durante a madrugada, Pedro acordou, ao ouvir um barulho estranho vindo da porteira, logo gritou: “Quem está ai?”. Imediatamente, uma voz desconhecida respondeu: “Sou o cavalo Pampa!”
Curioso, o menino prosseguiu indagando: “O que você quer?”. O cavalinho encantado, então, respondeu: “Um pouco de milho, pra matar minha fome!”. Pedro respondeu, novamente: “Pare de me pedir comida e dê um fora daqui!” e se deitou para dormir de novo. O cavalo Pampa, zangado, por ser mal atendido, pulou a cerca e comeu o pouquinho de milho que havia sido salvo. Comeu, comeu, até se fartar.
Quando amanheceu, o galo Chiquinho cantou: “co-có-rí-có, co-có-rí-có!”. Ao acordar, o agricultor, foi perguntar ao seu filho Pedro, se ele tinha alguma novidade sobre o milharal. O pai ficou cheio de raiva com o que viu. O milho que sobrou, não estava mais lá. Apenas sujeira e mais folhas ao chão. Então, perguntou ao Pedro: “Meu Deus! O que aconteceu aqui, filho?”. Pedro, então, respondeu: “Não sei ao certo. Dormi um pouco, mas me lembro de um cavalo conversando comigo. O mandei ir embora”.
Seu pai, muito aborrecido, esbravejou: “Você é irresponsável Pedro! Te dei uma ordem e você não a cumpriu. Era para ter ficado de olho no milharal, a noite inteira!”. Muito chateado, o pai ao filho do meio, João, que tomasse conta, dessa vez.
E assim, novamente, ao escurecer, lá se foi o João com a mesma esteira e a mesma desobediência. Dormiu a noite toda. De repente, escutou alguém batendo na porteira. O menino logo gritou: “Quem está ai?”. Respondeu outro cavalo encantado: “Sou o cavalo Castanho!”. “O que quer?” perguntou João. “Um pouco de milho, para matar minha fome” disse o cavalinho. João, assim como Pedro, gritou: “Não te darei nada!”. E depois dormiu. Diante disso, muito levado, o cavalo Castanho pulou a cerca e comeu uns milhinhos até se fartar.
 Ao amanhecer, novamente o pai correu para ver a situação. Lá chegando, encontrou novamente o milhal amassado e uns milhos arrancados. Colocou as mãos na cabeça, desesperado com o acontecimento e esbravejou: “Meu Deus criei estes filhos com tanta dificuldade e agora não estão me retribuindo este enorme sacrifício!”.
Então, Zéquinha tomando as dores de seu pai, triste em o ver assim, tão magoado, falou: “Pai, me deixe tomar conta hoje?”. O pai, então, respondeu: “Meu filhinho, você é mais novo. Tenho medo de te acontecer alguma coisa”. Zéquinha insistiu: “Deixa pai? Nada vai me acontecer!”. “Vai, meu filhinho, já que tanto insiste” respondeu o pai.
Sendo assim, ao anoitecer, Zéquinha eufórico pegou sua violinha, um banquinho e foi chegando ao seu destino. Sentou-se no banquinho e com sua violinha começou a tocar e cantar: “O tico-tico lá, o tico-tico cá, está comendo todo, todo o meu fubá! O tico-tico cá o tico-tico lá, está comendo todo, todo o meu fubá!”.
 E assim, cantou até à madrugada, quando, novamente, bateram na porteira. Zéquinha perguntou: “Quem é?”. Então, uma voz respondeu: “Sou o cavalo Alazão!”. O menino retrucou, com sua voz calminha: “O que você quer cavalinho?”. O cavalo Alazão respondeu: “Quero um pouquinho de milho para matar a minha fome!”. Zéquinha, logo se levantou do seu banquinho, colocou a violinha de lado e lá se foi catar os milhos para o cavalinho. Com os braços cheios de espigas, as deu na boquinha do Alazão, matando sua fome. O cavalo falou para ele: “Você foi muito bonzinho, menino! Se você precisar de mim, em qualquer circunstância, é só gritar ‘ME VALE MEU CAVALO ALAZÂO’, que irei ao seu socorro!”.
  Alazão, assim, se foi e contou tudo para os outros cavalos, Pampa e Castanho. Ouvindo o acontecido, os dois, contentes, saíram galopando e também foram atendidos, com a mesma atenção de Zéquinha. Pampa ofereceu para Zéquinha, que em qualquer perigo, ele também poderia gritar: “ME VALE MEU CAVALO PAMPA”. Castanho também disse que o menino poderia gritar: “ME VALE MEU CAVALO CASTANHO”.
Ao amanhecer, seu pai, preocupado em saber como estava, chegou ao milharal e ficou deslumbrado com o que viu. Tudo estava bonito, com suas folhagens verdes, robustas, balançando ao vento. Com suas espigas de milho reluzentes, correu, abraçou seu filho e disse: “Não estou acreditando no que estou vendo! Você, sendo o mais novo, cuidou e velou tão bem da nossa lavoura, embelezando-a e produzindo-a”. O agricultor, então, beijou seu filho, ajoelhou e deu graças a Deus.
           
P.S.: Ao contar essa história, meus netos me disseram: “Vovô já acabou? Mas você nunca acaba de contar essa história!”. Eles me engabelaram muito me pedindo para conta mais. Eu os prometi que outro dia contaria o resto. 

AUTORIA: Mario Garcia Aguiar

"seu moço me da minha coca"

    "SEU MOÇO ME DÁ MINHA COCA!"




OBS: Essa é uma das histórias preferidas de meus netos!


Alegre e saltitante ia eu, correndo pela estrada férrea, para a casa do meu padrinho. Ao chegar lá, eu sempre pedia: “Bença, padim!”. E ele, com aquele sorriso bondoso me respondia: “Deus te abençoe, meu filho”.
Meu padrinho sempre guardava presentes para mim, porém, dessa vez ao chegar, ele me disse: “Meu filho, hoje não tenho presentes para lhe dar. Os tempos estão difíceis. Na geladeira, só tenho uma garrafa de Coca Cola. Quer levá-la?”. Eu, subitamente, respondi: “Claro, meu padim! Eu quero sim. Adoro Coca!”. Diante disso, peguei a garrafa, bem rápido, pois estava com pressa e me despedi dele. Meu padrinho me abençoou e assim, voltei muito contente para minha casa.
No caminho de volta, um velho andarilho me cercou, próximo à linha do trem, de supetão arrancou a Coca do meu braço e correu. Ainda assustado, me sentei na linha férrea e abatido gritei: “Seu moço, me dá a minha Coca! A Coca que meu padim me deu!”. Por várias vezes repeti a mesma frase: “Seu moço, me dá minha Coca! A Coca que padim me deu!”.
De repente, percebi que o andarilho caminhava ao meu encontro. O sol ofuscava minha visão, mas o observei chegar. Ao se aproximar, o pobre andarilho exclamou: “Menino, tome a sua Coca! Eu estava com sede, mas como o vejo sempre passar por aqui, irei lhe devolver”. Pensativo, sugeri que o pobre velho se sentasse ao meu lado e assim, compartilhamos a garrafa e fartamos nossa sede. Trocamos algumas palavras, o velho me contou da vida difícil e amargurada que vivia.
Ele morava em uma casinha humilde, abandonada bem próxima dali, a qual havia invadido, por passar muito frio e solidão na rua. Contou que guardava garrafas vazias em sua casinha e as usava para imitar o apito do trem. Disse ainda, que quando o trem passava por ali, alguns maquinistas jogavam alimentos para ele.
Os maquinistas o adoravam, visto que certa vez, houve um descarrilamento desastroso por ali, no qual a caldeira do trem tombou e entornou água fervente na estrada, fazendo com o que o trem emperrasse e não funcionasse mais. Desesperados, os maquinistas apitaram socorro e o pobre andarilho tentou ajudá-los. O andarilho, não hesitou, subiu correndo para o monte e imitou com sua garrafa, o apito de socorro do trem, bem alto, avisando ao outro trem, que se aproximava, do ocorrido. Ouviu-se, então, o forte baralho do freio de emergência do trem que se aproximava. Quando o trem finalmente parou, todos os passageiros desceram e foram agradecer ao velhinho. O velho então se orgulhou por ter salvado a vida de tantas pessoas e pela primeira vez, se sentiu feliz por estar vivo.
Bebemos a garrafa toda e como estava ficando tarde e meus pais ficariam preocupados, me levantei para ir embora. O andarilho, então, me agradeceu pela Coca e pela conversa e me disse que em uma próxima vez, me contaria outras histórias emocionantes com esta e a de como ele havia chagado até ali. Ainda, o pobre andarilho me fez um último pedido: “Menino, você poderia me doar esta garrafa vazia de Coca Cola? É para a minha coleção!”Eu, então, o respondi: “Claro! Fique com ela. Mas me mate uma curiosidade? Qual é o seu nome?”. E já se afastando, o velho sussurrou: “Meu nome é Tibúrcio. Tibúrcio. Tibúrcio".    
Caminhei em direção à minha casa e ao longe se ouvia o velho andarilho cantando: “Seu moço, me dá minha Coca! A Coca que padim me deu!”. “Seu moço, me dá minha Coca! A Coca que padim me deu!”.

P.S.: Essa história continua. São muitas, as insistências de meus netinhos!

AUTORIA: Mario Garcia Aguiar

sábado, 6 de outubro de 2012

alma penada


   ALMA PENADA


No espaço, ao vento, vagava uma alma penada errante;
Uma voz celestial impediu que esta fosse adiante;
“Vou te dar uma nova oportunidade de se regenerar”;
“Volte para a Terra e procure um ser para dominar”;

Assim, essa alma à Terra retornou;
E a procura por seu domínio se iniciou;
Cansada de procurar, por sempre ser rejeitada;
Abrigou-se em uma choupana abandonada;

Até que, de repente, surgiu uma senhora;
Grávida, e de seu parto era chegada a hora;
Assim que veio a luz o bebê;
A alma, de sua existência foi ter;

A criança cresceu e ao chegar sua adolescência;
Teve início seu período de delinquência;
Na rua brigava sempre com criança desconhecidas;
Criando inimizade e deixando mães aborrecidas;

Certo dia roubou uma bicicleta de um menino;
Que descobriu o roubo e foi busca-la em seu destino;
Chegando à casa do ladrão;
Foi atingido por pedradas e caiu ao chão;

Após esse primeiro furto com furor;
Deu sequencia sua sina de pecador;
Até que a tiros foi abatido;
Num assalto a banco foi ferido;

Ao falecer, ao limbo retornou;
E a voz assim falou;
“Você na última chance não se corrigiu”;
“Agora ficarás aos gritos neste ambiente vil”;

Serás ouvida na terra através de raios e trovões;
E nas tempestades resgatarei as vítimas de seus grotões;
Para o céu as trarei sem dor;
Viver a vitória com resplendor;

Pense bem quem quer o mal disseminado;
Pois o mesmo poderá lhe ser reservado;

AUTORIA: Mario Garcia Aguiar

o que é o amor?


O QUE É O AMOR?


No meu entender, o amor é respeitar o que cada um sente, no seu modo de proceder, de interpretar e de agir. Em primeiro lugar, acima de tudo, temos que amar a Deus sobre todas as coisas. Amar tudo o que ele criou, até as mais simples criações, com muito carinho, para desfrutarmos e respeitarmos. 
Assim vou tentar mostrar o meu sentimento. Sentar embaixo de uma árvore e ver uma folha dela cair ao chão. Este acontecimento é como nossas vidas. Nascemos e vivemos no amor criado por Deus, e, assim, retornaremos a ele, que em seus braços vai nos receber. É linda a natureza, por mais que eu queira descrevê-la seria impossível. As corredeiras de um rio, com suas cachoeiras, com seu soar ao vento, que emitem sons maravilhosos, os quais tentam nos dizer “Não poluam minhas águas, porque elas são suas também!”. Quem dessas águas beber, Deus assim falou, terá vida eterna.
Os pássaros, com suas plumagens coloridas e seus lindos cantares, também tentam nos dizer: “Não destruam nossas matas, que elas são o fruto do nosso viver!”. Os outros animais, em seus rugidos peculiares, também nos imploram: “Não nos maltratem, sentimos dores iguais a vocês, estamos aqui para servi-los, sem cobrar nada!”. O mar, com seus encantamentos, ondas que batem nas pedras, às vezes está revolto, às vezes mancinho, mas sempre triste com a poluição que causamos nele, nos diz: “Lhes dou tudo de graça, seus alimentos, sua diversão, não me suje!”.
E o céu? Em seu infinito, as estrelas cintilantes também nos dizem: “Aqui é a casa de Deus, seu pai, que com todo o seu amor, está esperando àqueles que o praticam na Terra. Venham, estaremos de braços abertos à recebê-los”. Isso é o amor.

AUTORIA: Mario Garcia Aguiar.

o tesouro do pirata da perna de pau


O TESOURO DO PIRATA DA PERNA DE PAU



Havia um pescador, que morava em uma ilha próxima a uma pequena cidade. Vivia sozinho, porém, feliz com sua solidão. Sustentava-se por meio de suas pescarias. Ele saia todas as manhãs, vendia os frutos de sua pesca, no pequeno arraial e de lá mesmo trazia seus outros alimentos.
Numa destas pescarias, o pobre pescador não conseguiu pegar nenhum peixe, porém, sem querer, acabou se distanciando muito da costa, chegando ao alto mar. De repente, começou a ventar bastante e as nuvens escureceram. Raios e clarões cortaram o céu, as ondas cresceram e começou uma baita tempestade. Seu barco ficou a deriva e o mastro quebrou atingindo sua cabeça. O pescador desmaiou e ali ficou no barco, durante toda a noite, na tempestade que não dava trégua.
Amanheceu o dia e bastante desnorteado o pescador acordou. A tempestade havia passado e o sol estava surgindo, ele ainda meio tonto exclamou: “Meu Deus, o que aconteceu comigo?”. Olhou para os lados, avistou uma grande ilha rochosa e com muita dificuldade, foi remando até ela. Lá chegando, ancorou seu barco numa pequenina praia, desceu, deitou embaixo de uma grande pedra e dormiu.
O pescador só acordou depois de algumas horas, levantou-se e saiu para explorar a ilha. Ao longe, avistou uma caverna, num enorme rochedo e decidiu ir até lá. Ao chegar à caverna escura, tomou coragem e entrou dentro dela. Lá dentro, morcegos batiam em seu rosto, ouvia se sons misteriosos e quanto mais ele adentrava, mais escuro o caminho ficava.
Caminhou com dificuldade, pois havia muitos buracos. Aconteceu, porém, que o pescador caiu em um desses buracos e ao cair bateu o braço em cima de um caixote, o qual constatou que era um baú. Com bastante dificuldade, ele pegou o baú e o trouxe para fora da caverna. Ficou intrigado com aquele estranho achado, que era muito pesado e tinha um grande cadeado, que o trancava.
O pescador resolveu abri-lo, para ver o que havia dentro. Pegou uma pedra, bateu com ela no cadeado até conseguir abri-lo. A tampa se levantou, a poeira subiu e, naquele instante, brilhos surgiram. Havia pedras preciosas, muito ouro, muitas joias, dentro do baú.
O pobre pescador ficou deslumbrado ao ver aquela valiosa descoberta. Fechou o baú rapidamente e o arrastou até o barco. Ao chegar ao barco, avistou um navio de piratas perigosos se aproximando. Quando os piratas avistaram o pobre pescador, eles gritaram: “Você está roubando o nosso tesouro! Vamos te pegar!”.
Desembarcaram rapidamente na costa, pegaram o pobre pescador e o levaram para o navio deles. Junto ao tesouro, os piratas amarraram o pescador. O capitão dos piratas, o qual tinha uma perna de pau gritou para o pobre pescador: “Quando chegarmos ao alto mar, vamos te jogar aos tubarões. Eles vão te devorar!”. E assim, partiu a tripulação pirata. O capitão era um homem muito mau, já conhecido nas mais terríveis profundezas do mar. Ele havia perdido a perna em uma devastadora luta entre piratas.
Ao chegarem ao alto mar, começou outra grande tempestade e o capitão da perna de pau estava dormindo. Todas as vezes que dormia, o capitão tirava a perna de pau e a colocava em baixo da cama. De repente uma onda atingiu o navio em com tanta força, a perna de pau do capitão, caiu no mar.
Passando a tempestade, o pirata procurou a perna embaixo da cama e não a encontrou. A forte onda havia a levado embora. O capitão, então, começou a gritar: “Seus piratas miseráveis, seus sujos, onde esconderam minha perna de pau? Cadê ela? Devolvam-me agora!”.
Os outros piratas vieram correndo, com medo do capitão e falaram: “Mestre, a tempestade estava terrível. O mar estava muito revolto e estávamos ocupados cuidando do barco desgovernado”. O capitão revoltado replicou: “Vocês são imprestáveis mesmo! Como não tomaram conta da minha perna! Como a deixaram cair no mar?”.
 O pescador, ainda amarrado, gritou para o capitão: “Não fique nervoso senhor, eu já fui marceneiro e farei outra igualzinha para o senhor!”. O capitão, dessa forma, ordenou que soltassem o pescador, para ele fazer a perna de pau.
Os piratas haviam amarrado ao navio, o humilde barquinho do pescador, caso precisassem escapar. Dessa forma, o pescador pediu que os piratas fossem ao barquinho dele, pois lá tinha um pequeno mastro de madeira e que o trouxesse para ele. Eles, então, assim procederam. O pobre pescador construiu uma ótima perna de pau para o capitão dos piratas. Melhor até daquela em que o capitão possuía. A perna se encaixou perfeitamente. O capitão o abraçou fraternamente e agradeceu bastante e sem pestanejar, indagou: “Agora pescador, tu serás meu amigo. Vou te levar de volta para sua casa!”.
 O pescador ficou muito contente. Os dois conversaram muito e em uma dessas conversas, o capitão perguntou como ele havia chegado à enorme ilha. O pescador, então, o contou que tinha sido Deus que havia o salvado de uma grande tempestade e o levado até aquela ilha. Logo, o capitão pirata o perguntou: “Quem é esse Deus? Eu não o conheço”.
 O pescador respondeu: “Você deveria conhecer! DEUS é nosso pai, criador do céu e da terra. Vou ler esta bíblia para você o conhecer melhor”. E assim, os dois passaram a noite toda lendo. O capitão nem piscava o olho, compenetrado aos dizeres da bíblia. O humilde pescador deu uma pausa da bíblia e começou a aconselha-lo: “Não junte tesouros econômicos, mas sim tesouros valorosos de boas ações. De aos pobres tudo aquilo que lhe sobra e assim, ganharás o tesouro valioso. Receberás a graça eterna”.
Amanheceu o dia, o capitão ainda deslumbrado com o que ouviu, resolveu não ser mais malvado. De repente, apontou ao longe uma ilha e o pescador gritou: “Olha lá, aquela é a minha ilha! É lá que eu moro!”. Por fim o capitão gritou: “Ancorem este navio, que meu amigo vai descer!” e disse para o pescador: “Foi Deus quem te trouxe para o meu navio, amigo. Agora aprendi a lição. Existe um Deus o qual ninguém ainda havia me mostrado e você me mostrou. Leve este tesouro contigo e viva feliz!”

AUTORIA: Mario Garcia Aguiar



uma ave ferida


UMA AVE FERIDA




Em uma linda tarde, o vento soprava leve, levando no ar, o perfume das flores e do mato verde. Uma ave cantava, quebrando o silêncio da natureza, parecendo disputar o som com outras, para ver quem cantava mais bonito e melhor. E assim, a pequena ave ia desfrutando de toda essa maravilha, sem imaginar no que poderia acontecer.
De repente, o céu começou a escurecer, seguido por ventos, raios e trovões. As outras aves pararam de cantar e forasteiramente, voaram por toda a mata, procurando por seus abrigos. Dessa mesma forma, a pequena ave voou para seu ninho, que se localizava bem no alto de uma velha árvore. E ali se recolheu, abrigando seus pobres filhotes. Logo em seguida, um raio caiu sobre a árvore cortando-a ao meio. O vento brutalmente a levou para longe e junto dela, a ave e seus filhotes.
No dia seguinte, passada a tempestade, o sol brilhou com sua esplendorosa luz e a natureza finalmente voltou ao normal. A ave, ferida, voando com dificuldade, estava à procura de seus filhotes. Procurou, procurou, mas não conseguiu os encontrar. Então, foi para o alto de uma árvore e cantou o canto mais triste que se ouviu na mata. A pequena ave chamava por seus filhotes desesperadamente e se lamentava pelo fato de o vento ter levado, sem destino, seus pequenos filhotes.
Passaram-se vários dias e a pobrezinha continuava em busca de seus filhotes. Em um belo dia, num galho de árvore, próximo a ela, pousou um lindo pássaro, o qual cantou para ela. Os dois se acasalaram, festejaram e saíram dali voando para outra mata cheia de rios, cores e flores. O lindo pássaro a fez superar aquele terrível drama vivido.
E assim como essa história é a nossa vida. Nossa mente fica ferida quando acontecem “tempestades” e “avalanches” que levam nossa casa, entes queridos, filhos, mãe, pai, nos deixando desprovidos de tudo o que construímos durante toda a vida. O que fica é a dor dentro de nós para sempre.

AUTORIA: Mario Garcia Aguiar

o anjo da guarda


O ANJO DA GUARDA




Era uma vez, em uma floresta distante, um pássaro, com seu canto encantador, misterioso, o qual ninguém conseguia saber de onde vinha, nem onde estava.
Numa casinha próxima a esta floresta, morava Pedrinho, com seu pai e sua mãe. Toda manhã ele acordava e ouvia o cantar desse maravilhoso pássaro, próximo à sua casinha. Pedrinho, com seu costume de pegar passarinhos e prender em gaiolas, planejou: “Vou pegar este pássaro, o qual ninguém consegue trazer pra casa”.
Acordou ainda de madrugada e lá se foi Pedrinho aventurando-se na mata, à procura de sua presa, com seu alçapão e sua gaiolinha. Entretanto, o menino não estava mais ouvindo o cantar do passarinho, mas corajoso continuou caminhando pela mata adentro, por várias horas até se perder. Já à tardinha, quando estava começando a escurecer, Pedrinho bastante cansado, com fome e sede, deitou-se embaixo de uma árvore e dormiu.
Acordou com o passarinho cantando, levantou-se eufórico, partiu em busca daquele cantar maravilhoso e imaginou: “Agora vou pegá-lo!”. Porém, todas as vezes que Pedrinho se aproximava do pássaro, este voava para mais distante ainda, e, assim, o menino continuava o seguindo.
Com muita sede e cansado, Pedrinho avistou um riacho de águas cristalinas e se deitou a beira dele. Fartou-se de beber água, até cessar sua cede, quando de repente ouviu, de novo, o canto do passarinho pertinho de onde estava. Numa árvore, com galhos enormes, encostados á margem do riacho, o menino não perdeu tempo e pegou seu alçapão, armou e pensou: “Vai ser agora!”. Todavia, como sempre acontecia, o passarinho voou para outro caminho, mas Pedrinho não desistiu e foi em busca dele.
Faminto e quase perdendo suas energias, inesperadamente, escutou aquele cantar, em um bananal bem próximo, logo, partiu para lá. Nas bananeiras, avistou lindas pencas de bananas maduras, amarelinhas, refletidas pelo sol. O menino correu até elas, com muita fome, arrancou várias delas e comeu até se fartar. Ouviu o pássaro, novamente, mais distante dali e foi ao seu encontro. Como sempre, quando Pedrinho se aproximava o passarinho voava. Dessa vez, ele voou até a subida de um morro bem alto e Pedrinho, já preparado, pegou rápido seu alçapão para prender o pássaro.
No momento em que ia conseguir capturar o passarinho, o menino avistou ao longe sua casinha. Com saudades, largou tudo e correu em direção ao seu lar. Chegando ao terreiro, lá estavam seus pais, que desesperados gritaram: “Nosso filho voltou!”. Os pais de Pedrinho se ajoelharam e levantaram as mãos para o céu, agradecendo a Deus, pela volta do menino. Cheios de saudade abraçaram bastante o filho querido.
Nesse momento, eles ouviram o passarinho cantar mais forte do que o normal, um canto maravilhoso, que cumpria sua missão de trazer de volta o menino à sua família. Ao ouvir o canto, todos olharam para cima e avistaram na mais alta árvore, um lindo pássaro, enorme, com plumagem branca. O pai de Pedrinho, então, disse: “Nunca mais faça isso filho! Não se pode pegar os passarinhos. Solte todos aqueles que você pegou. Eles podem ser como este anjo da guarda, velando e te protegendo contra todos os perigos”. E, assim, o pássaro alçou voo e voou em direção ao céu.
                                                                                                
MORAL DA HISTÓRIA: Não aprisione pássaros.

AUTORIA: Mário Garcia Aguiar.